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Medida protetiva não é condenação: entenda os direitos e os limites de quem foi denunciado

2 de set.
6 min de leitura

    Medida protetiva Maria da Penha: direitos, deveres, defesa e possibilidade de revisão da medida protetiva.

Receber uma medida protetiva pode trazer medo, insegurança e muitas dúvidas. Mas existe uma informação que precisa ficar clara desde o início: a concessão da medida não significa que a pessoa já foi condenada.

⚖️ Informação importante: a medida protetiva tem natureza preventiva. Porém, enquanto estiver vigente, deve ser rigorosamente cumprida.

Recebi uma medida protetiva. E agora?

Imagine a seguinte situação: a pessoa recebe uma intimação judicial e, ao ler o documento, percebe que está proibida de se aproximar ou manter contato com a mulher que solicitou a proteção.


Naquele momento, surgem várias perguntas:

  • Posso voltar para casa?

  • Posso mandar uma mensagem?

  • E se ela entrar em contato comigo?

  • Posso continuar vendo meus filhos?

  • Se o juiz concedeu a medida antes de me ouvir, isso significa que já fui considerado culpado?


A resposta para a última pergunta é: não.


A medida protetiva de urgência não corresponde, por si só, a uma condenação criminal.


Trata-se de um instrumento de natureza protetiva e preventiva, previsto na Lei nº 11.340/2006 — Lei Maria da Penha — destinado a resguardar a mulher diante da existência de uma possível situação de risco.


Isso, entretanto, não torna a decisão irrelevante para quem a recebe.

🚨 Atenção: enquanto estiver vigente, a ordem judicial deve ser cumprida integralmente, ainda que a pessoa discorde das acusações e pretenda apresentar posteriormente sua versão dos acontecimentos.

Ao mesmo tempo, permanecem assegurados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.


A medida protetiva pode ser concedida sem que o homem seja ouvido?


Sim.


A própria natureza urgente da medida protetiva permite que o Poder Judiciário tome uma decisão inicial com base nos elementos disponíveis naquele momento, sem realizar previamente a audiência das partes.


A finalidade é impedir que uma possível situação de risco permaneça sem proteção enquanto se aguarda a tramitação do processo.


Por isso, é possível que o homem tome conhecimento da medida somente depois de ela já ter sido deferida.


O que isso significa?

✅ O juiz entendeu que havia elementos suficientes para adotar uma medida de proteção naquele momento.


O que isso não significa?

❌ Que houve condenação criminal ou julgamento definitivo dos fatos.


Posteriormente, a pessoa submetida à restrição poderá exercer sua defesa e, conforme as circunstâncias do caso, apresentar provas e argumentos destinados à reavaliação da decisão.


Quais medidas podem ser impostas?

A Lei Maria da Penha prevê diferentes medidas protetivas que podem atingir diretamente o suposto agressor.


Conforme o caso, podem ser determinadas:

  • 🏠 afastamento do lar ou do local de convivência;

  • 📍 proibição de aproximação da ofendida;

  • ↔️ estabelecimento de uma distância mínima;

  • 📵 proibição de contato por telefone, mensagens, redes sociais ou qualquer outro meio;

  • 🚫 proibição de frequentar determinados lugares;

  • 👨‍👧 restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores;

  • 🔒 suspensão da posse ou restrição do porte de armas;

  • 📡 monitoração eletrônica, nas hipóteses legalmente cabíveis.

📄 Primeira providência: leia a decisão judicial inteira. Não basta saber que “existe uma medida protetiva”. É necessário identificar exatamente o que foi proibido ou determinado.

“Eu discordo da acusação. Posso procurar a mulher para esclarecer?”


Se existe determinação judicial proibindo contato ou aproximação, não.

Esse é um dos erros que mais podem agravar a situação. É comum a pessoa pensar:

“Vou apenas explicar o que aconteceu.”
“Vou mandar uma última mensagem.”
“Vou pedir para minha mãe conversar com ela.”
“Vou buscar minhas roupas rapidamente.”

Mesmo que a intenção declarada seja conversar ou resolver o conflito, a conduta poderá representar descumprimento se contrariar a decisão judicial.


A Lei Maria da Penha prevê especificamente o crime de descumprimento de decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência.

⚠️ Discordar da medida não autoriza seu descumprimento. A contestação deve ser feita dentro do processo e pelos instrumentos jurídicos adequados.

E se a própria mulher entrar em contato?


Essa situação exige cuidado especial.


Imagine que exista uma decisão proibindo o homem de manter contato com a ofendida. Alguns dias depois, ela envia uma mensagem. Ele pode pensar:

“Se ela falou comigo primeiro, então eu posso responder.”

Essa conclusão pode ser perigosa.


A iniciativa da outra pessoa não deve ser interpretada automaticamente como autorização para retomar o contato ou como revogação da ordem judicial.


O que fazer nessa situação?

  1. Não apague a mensagem recebida.

  2. Preserve o conteúdo completo da conversa.

  3. Evite responder impulsivamente.

  4. Procure orientação jurídica antes de adotar qualquer conduta.

Uma ordem judicial não deixa de existir simplesmente porque as partes voltaram a conversar informalmente.

Quais provas devem ser preservadas?


Uma defesa técnica adequada começa com a preservação dos elementos relacionados aos fatos. Entre eles podem estar:


  • ✅ conversas completas de WhatsApp;

  • ✅ e-mails;

  • ✅ fotografias e vídeos;

  • ✅ áudios;

  • ✅ documentos e comprovantes;

  • ✅ imagens de câmeras de segurança;

  • ✅ testemunhas;

  • ✅ registros relacionados ao local e ao momento dos fatos, quando obtidos licitamente;

  • ✅ conversas anteriores e posteriores ao episódio investigado.


Não apague mensagens

Às vezes, por medo de que determinada frase seja mal interpretada, a pessoa exclui a conversa. Isso pode ser um erro.


O contexto completo pode ser justamente o elemento necessário para compreender corretamente uma mensagem. Da mesma forma, prints isolados devem ser analisados junto com o restante da conversa, sempre que esse conteúdo estiver disponível.

🔎 Na prova digital, o contexto e a integridade do conteúdo podem fazer toda a diferença.

É possível pedir a revogação da medida protetiva?

Dependendo das circunstâncias, a medida pode ser objeto de reavaliação judicial. Entretanto, não basta afirmar que a acusação é falsa ou simplesmente manifestar o desejo de que a medida seja retirada.


A defesa deve apresentar fundamentos jurídicos e elementos concretos que justifiquem a revisão.


O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Tema Repetitivo 1.249, consolidou o entendimento de que as medidas protetivas não estão necessariamente submetidas a um prazo fixo de duração. Sua manutenção está relacionada à persistência da situação de risco.

Isso significa que:


  • ⏳ a simples passagem do tempo não extingue automaticamente a medida;

  • ⚖️ a alteração concreta das circunstâncias pode justificar uma reavaliação judicial;

  • 📑 o pedido deve ser apresentado pelo procedimento adequado e acompanhado dos elementos pertinentes.


O arquivamento do inquérito encerra automaticamente a medida?

Não necessariamente.


A medida protetiva possui finalidade própria de prevenção e proteção. Por isso, a análise sobre sua manutenção não se confunde integralmente com a existência de inquérito policial ou ação penal.


Mesmo diante do arquivamento de uma investigação ou de outra alteração na esfera criminal, será necessário examinar o caso concreto e verificar se permanece — ou não — o risco que justificou a medida.


E quando existem filhos em comum?

Quando o casal possui filhos, a situação exige atenção ainda maior. Questões relacionadas à guarda, convivência e visitas podem coexistir com as restrições impostas pela medida protetiva.


👨‍👩‍👧 A existência de filhos não autoriza automaticamente o contato entre os adultos.

Alguns cuidados são essenciais:

  • não utilizar os filhos para transmitir mensagens;

  • não pedir que familiares ou amigos façam contato indireto;

  • verificar se a decisão estabeleceu alguma restrição às visitas;

  • buscar judicialmente uma forma segura e adequada de organizar a convivência parental.


Dependendo das circunstâncias, questões de Direito de Família e de violência doméstica podem tramitar simultaneamente e exigir atuação jurídica coordenada.


Defender o homem significa atacar a Lei Maria da Penha?

Não.


A proteção das mulheres vítimas de violência doméstica é uma finalidade legítima e indispensável da legislação brasileira.


Ao mesmo tempo, qualquer pessoa submetida a uma investigação, processo ou restrição judicial possui direito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.

Essas garantias não são incompatíveis.


A advocacia de defesa não tem como função desqualificar previamente a mulher, assim como também não deve presumir a culpa do homem antes da análise dos fatos e das provas.


A função da defesa técnica é examinar o processo, reconstruir os acontecimentos, verificar a legalidade das medidas adotadas, preservar e produzir provas e utilizar os instrumentos processuais adequados.


⚖️ Proteger a vítima e assegurar o direito de defesa são deveres que devem coexistir em um Estado de Direito.

Recebi uma medida protetiva: o que devo fazer imediatamente?


1. 📄 Leia integralmente a decisão


Identifique todas as restrições impostas, inclusive distância mínima, locais proibidos e formas de contato vedadas.

2. ⚠️ Cumpra rigorosamente a ordem judicial

A discordância deve ser manifestada no processo. Ela não autoriza o descumprimento.

3. 📵 Não procure a mulher para “resolver pessoalmente”

Se houver proibição de contato, não envie mensagens nem tente aproximação direta ou indireta.

4. 🔎 Preserve todas as provas

Não apague conversas, áudios, vídeos, documentos ou outros elementos relacionados aos fatos.

5. 🚫 Não utilize terceiros para contornar a proibição

Familiares, amigos e filhos não devem ser utilizados como intermediários para transmitir recados ou promover contatos proibidos.

6. 👩‍⚖️ Procure orientação jurídica


Um advogado poderá analisar a decisão, o procedimento e as provas, além de verificar quais providências são juridicamente cabíveis no caso concreto.


Conclusão


Receber uma medida protetiva da Lei Maria da Penha não significa que o homem tenha sido automaticamente condenado pelos fatos narrados.

Entretanto, a existência de uma ordem judicial exige cumprimento imediato, cuidadoso e responsável. A defesa deve ocorrer dentro do processo e pelos meios previstos em lei.

Cumprir a decisão, preservar as provas e buscar orientação jurídica são providências fundamentais para evitar que uma situação já delicada se torne ainda mais grave.

A proteção da vítima e o direito de defesa não são princípios incompatíveis. Um Estado de Direito deve ser capaz de assegurar ambos.


Jardim & Rodrigues Advocacia

Dra. Andressa Rodrigues de Souza — OAB/RO 8233Dr. Paulo S. Jardim — OAB/RO 8557

Conteúdo de caráter exclusivamente informativo. A análise jurídica depende das particularidades de cada caso concreto.

 
 
 

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